Queda de Flávio Bolsonaro em pesquisa coincide com aumento de indecisos, aponta Quaest
17/07/2026
(Foto: Reprodução) O que mostra a pesquisa Quaest após a briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) mostra que o percentual de eleitores indecisos sobre o voto no 1º turno aumentou de 5%, em maio, para 11%.
Esse movimento coincide com a queda de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa desde maio. Ele passou de 33% das intenções de voto naquele mês para 28% agora. O presidente Lula (PT) lidera com 40%, em patamar estável nos últimos meses.
O que houve em maio: a revelação das conversas em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o que a pesquisa mostra é que as intenções de voto de Flávio não migraram nem para Lula — embora haja melhora na avaliação do governo —, nem para os demais candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
"Quem cresce neste momento é a indecisão. Há eleitores que estão olhando para o jogo, entendendo essa melhora do governo, mas não se movimentando naquela direção; entendendo as crises do Flávio e se distanciando dele, mas ainda não encontrando um caminho que ele considere uma alternativa viável na disputa eleitoral deste ano", disse Nunes em entrevista ao podcast O Assunto da última quinta (16).
LEIA TAMBÉM
O que a nova pesquisa Quaest mostra sobre a corrida presidencial
ANÁLISE: 'Desenrola' e fim da escala 6x1 ajudam a melhorar imagem do governo
Flávio Bolsonaro perde apoio na direita não bolsonarista
Outros candidatos da direita são pouco conhecidos
Nesse contexto, o diretor da Quaest avalia que a campanha eleitoral, que começa daqui a um mês, em 16 de agosto, vai ser muito importante para os candidatos da direita que ainda são desconhecidos. Zema, Caiado e Renan praticamente não são citados pelos entrevistados na pesquisa espontânea, em que os nomes dos pré-candidatos não são apresentados, e variam entre 2% e 4% na pesquisa estimulada, quando os nomes são mostrados.
Além disso, segundo a Quaest, 44% dos entrevistados responderam que não conhecem Caiado, 50% desconhecem Zema e 77% não sabem quem é Renan Santos.
"A campanha produz grandes efeitos de mudança de opinião, devido à performance em entrevista, nos debates ou pelos ataques dos adversários. Esse momento será muito importante para esses três candidatos se apresentarem", disse Nunes em entrevista ao "Jornal da Globo", da TV Globo, na quarta.
A análise dos dados no cenário da pesquisa espontânea (quando os nomes não são citados) mostra que houve uma variação no índice de indecisos entre os eleitores da direita não bolsonarista. Eram 66% em março, 46% em junho e, agora, 57%. Mesmo entre os bolsonaristas, 49% responderam não saber em quem votar (eram 39% em maio), e 45% citaram o nome de Flávio espontaneamente.
Para Nunes, esse eleitorado começou a questionar se o senador ainda representa a melhor alternativa para a direita. "Essa direita não bolsonarista começa a repensar: 'Será que é mesmo esse o melhor caminho? Essa dúvida começa a influenciar também o eleitorado bolsonarista."
Pesquisa mostra mudança na convicção de voto em Flávio Bolsonaro
Segundo o diretor da Quaest, a dúvida dos eleitores de direita em relação a Flávio fica evidente quando a pesquisa mede o grau de convicção do voto.
Entre os entrevistados que afirmam votar no senador, o percentual dos que admitem a possibilidade de mudar opinião passou de 30% em junho para 37% em julho.
Já o percentual dos que afirmam ter uma decisão definitiva saiu de 70% para 62%.
Entre os eleitores de Lula, ocorreu o movimento contrário: a convicção de voto variou de 71% em junho para 77% em julho, enquanto o percentual dos que dizem que ainda podem mudar de opinião era de 29% e agora é de 23%.
"A pesquisa captura um aquecimento pró-Lula e um relativo esfriamento para Flávio. A gente está observando quase um processo de transição de opinião pública. Mas é sempre importante lembrar que pesquisa é um termômetro do momento", disse Nunes.
Lula melhora aprovação, mas se aproxima de teto
Nos últimos quatro meses, a aprovação do governo Lula aumentou cinco pontos percentuais, de 43% em abril para 48% em julho.
Para o diretor da Quaest, isso é consequência do programa Desenrola 2.0, que reduziu o número de brasileiros endividados; da expectativa criada pela discussão sobre o fim da escala 6x1; e pelo impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Esses fatores consolidam a vantagem de Lula nas simulações com todos os pré-candidatos, mas, segundo Nunes, o petista alcançou um teto. "Mesmo aumentando a aprovação do seu governo e tendo a rejeição reduzida, isso não se transforma em intenção de voto", disse o diretor.
Lula chegou a 40% em julho na pesquisa de 1º turno e permanece praticamente nesse patamar desde fevereiro, quando tinha 38% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Nos cenários de segundo turno, o presidente aparece com cerca de 45% contra todos os adversários simulados, índice que também se mantém estável nos últimos cinco meses.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação