Propostas de presidenciáveis priorizam reação à prevenção da violência contra crianças, diz Unicef
25/08/2026
(Foto: Reprodução) Embora quase todas as principais campanhas presidenciais prevejam medidas contra a violência que atinge crianças e adolescentes, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) avalia que as propostas estão voltadas principalmente à resposta aos casos, e não à prevenção.
🔎O Unicef analisou os planos de governo disponíveis na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das cinco candidaturas com maiores índices de intenção de votos: Luiz Inácio Lula da Silva(PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
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Nos programas analisados, há 178 menções a crianças e adolescentes em diferentes temas:
Educação: 42
Violência ou Segurança Pública: 39
Saúde: 30
Proteção Social: 28
Esporte: 8
Outros direitos: 31
📖 Para as candidaturas de Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Renan Santos, o tema relacionado à infância e adolescência que mais aparece é educação.
Já para Lula e Ronaldo Caiado, o tema que mais aparece é o enfrentamento a violência.
Violência contra crianças e adolescentes
De acordo com o Unicef, entre os programas que têm referências ao tema de violência, predominam as propostas focadas na resposta à criminalidade, como aumento de penas, ampliação do policiamento e fortalecimento da investigação criminal.
São menos frequentes as referências a medidas de prevenção, ao fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos e a respostas intersetoriais envolvendo áreas além da segurança pública.
Para o Unicef, há mais ênfase em abordagens de resposta à violência do que proposta voltadas a proteção integral das crianças e adolescentes por meio de políticas sociais.
"Não se trata de escolher entre prevenção ou repressão. É preciso, sim, investigar e responsabilizar os autores da violência. Mas, para proteger crianças e adolescentes, é fundamental também agir antes que a violência aconteça, por meio de políticas de Educação e oportunidades para jovens, da Assistência Social, da Saúde, do fortalecimento das famílias e de sistemas que identifiquem e referenciem situações de violência", afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.
Os programas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema focam em medidas de punição e resposta às violências contra crianças e adolescentes ou cometidas por eles.
Já o plano de Ronaldo Caiado dá ênfase na investigação e penalização de autores da violência, mas traz também propostas intersetoriais de prevenção. Por sua vez, o plano de Lula está mais voltado a ações de prevenção da violência infantojuvenil.
Criança com mão no rosto
Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo
Tipos de violência
Entre os tipos de violência citadas nos planos, a violência sexual contra crianças e adolescentes aparece na maioria dos programas analisados (Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado).
Riscos em ambientes digitais são citados apenas por dois dos cinco candidatos (Lula e Ronaldo Caiado), assim como violência doméstica contra meninos e meninas.
Os homicídios de crianças e adolescentes, principalmente em contextos urbanos foram citados apenas no programa de governo de Caiado.
Nos planos, não há menções de propostas para endereçar as mortes decorrentes de intervenção policial.
Também não há quase nenhuma referência sobre como crianças e adolescentes são afetados pela violência. As únicas propostas dedicadas aos adolescentes relacionam à redução da maioridade penal e a mudanças no sistema socioeducativo.
Para o Unicef, essa é uma visão de que o adolescente é apenas um "perpetrador" da violência e não uma das maiores vítimas de violação de direitos.
Desigualdades
Há poucas referências às desigualdades nos planos de governo. A análise mostrou que meninos e meninas são tratados como grupo homogêneo pelas candidaturas e não considera recortes de raça, etnia, gênero, deficiência ou território.
Segundo o Unicef, é possível observar a ausência de referências específicas a crianças negras e indígenas, grupos que enfrentam desigualdades persistentes e maiores riscos de exposição à violência em diferentes contextos.
Além disso, referências a meninas e crianças com deficiências estão presentes, mas de forma limitada.
Números da violência contra crianças e adolescentes
De acordo com Anuário de Segurança Pública de 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas em 2025, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no Brasil. São quase 6 a cada dia. A maioria são adolescentes do sexo masculino e negros.
No cenário de dentro de casa, houve um aumento de 106% nos maus tratos entre 2024 e 2025. Foram mais de 38 mil casos no último ano.
Além disso, foram registrados 61 mil estupros ou estupros de vulnerável no país. A maioria foi ocorrida em casa por autor desconhecido.