PF aguarda depoimento de Daniel Vorcaro nesta quinta em investigação sobre ataques ao BC
19/08/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Federal (PF) aguarda para esta quinta-feira (20) o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no inquérito que investiga uma suposta campanha de ataques ao Banco Central (BC) nas redes sociais.
Segundo interlocutores, o depoimento deve ser realizado por videoconferência. Atualmente, Vorcaro está preso no Centro de Detenção Provisória II (CDP II), no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A unidade é conhecida informalmente como "Papudinha" e abriga presos provisórios, ou seja, que ainda aguardam julgamento definitivo.
A investigação ganhou novos contornos em julho, quando a Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado um esquema de contratação de influenciadores e jornalistas para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar decisões do Banco Central.
Segundo a investigação, as ofertas chegavam a R$ 2 milhões.
O depoimento de Vorcaro ocorre no âmbito da apuração sobre o chamado "Projeto DV", nome atribuído pela PF ao plano que, segundo os investigadores, foi criado para promover campanhas de influência em defesa do banqueiro e do Banco Master.
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PF aponta oferta de até R$ 2 milhões
Em decisão que autorizou uma operação contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado pela PF como articulador do esquema, o ministro André Mendonça afirmou que os elementos reunidos pela investigação indicam uma estrutura organizada para influenciar debates públicos e pressionar adversários do grupo.
Segundo a PF, influenciadores recebiam propostas para publicar conteúdos defendendo o Banco Master e criticando o Banco Central. Em alguns casos, os contratos poderiam chegar a R$ 2 milhões.
A investigação aponta que os alvos precisavam assinar acordos de confidencialidade antes mesmo de conhecer os detalhes da proposta. Os documentos previam multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo.
Daniel Vorcaro
Jornal Nacional/ Reprodução
De acordo com a Polícia Federal, pessoas que recusavam participar do projeto também passaram a ser monitoradas.
Os investigadores afirmam que integrantes do grupo utilizavam informações privadas obtidas de maneira irregular para pressionar e intimidar jornalistas, empresários e outras pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Vorcaro.
Os investigadores buscam esclarecer qual foi o nível de participação de Vorcaro na criação, financiamento e execução do chamado Projeto DV.
A expectativa é que a PF questione o banqueiro sobre os recursos utilizados para financiar as campanhas e a contratação de influenciadores.
O caso tramita no STF e é acompanhado por ministros da Corte desde a abertura das investigações relacionadas ao Banco Master.