Mendonça manda PF investigar suspeita de novos vazamentos em caso de Lulinha
21/08/2026
(Foto: Reprodução) Mendonça determina investigação sobre suspeita de novos vazamentos em caso de Lulinha
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) que a Polícia Federal (PF) apure suspeitas de novos vazamentos de dados sigilosos em caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão diz respeito ao conteúdo de reportagens jornalísticas. O ministro se baseia em mensagens privadas e detalhes dos inquéritos que investigam tráfico de influência e a Operação Sem Desconto — que envolve as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (entenda mais abaixo).
"Se faz imperiosa a determinação expressa para que a autoridade policial responsável pela condução do referido procedimento investigatório, inclua a apuração quanto à origem das informações que foram objeto de veiculação indevida no referido procedimento", prossegue.
Mendonça, contudo, salienta em sua decisão que a investigação, que já se encontra em andamento, não deve ter como foco os autores ou responsáveis pela veiculação das reportagens, mas sim pessoas que "'tinham o dever funcional de preservar o sigilo das informações".
"A investigação que já se encontra em curso não deve ter como foco, em hipótese alguma, os autores ou quaisquer responsáveis pela veiculação das notícias jornalísticas. Isso porque referidas matérias tão somente evidenciaram o desvelamento do sigilo de dados que, por óbvio, foram disponibilizados aos profissionais (...), por quem lhes teve acesso do modo originário", justifica Mendonça.
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O ministro também reforçou a proteção constitucional da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte.
"Na condução da investigação já instaurada, a autoridade policial deve zelar pela irrestrita observância à garantia constitucional da preservação do sigilo da fonte, plasmada no inciso XIV do art. 5º da Lei Fundamental em favor dos profissionais jornalistas", afirma.
"Portanto, o procedimento apuratório acima referido parte de hipótese investigativa centrada na eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas", emenda.
Pedido da defesa de Lulinha
O pedido de novas apurações partiu da defesa de Lulinha, que solicitou que Mendonça expandisse ou acrescentasse novos fatos às investigações de vazamentos.
O filho do presidente solicitou formalmente que esses novos episódios fossem considerados na investigação já estava em curso.
Interlocutores do presidente Lula afirmaram que ele defendeu investigação sobre vazamentos em casos envolvendo seu filho, mas também um depoimento rápido à PF. A informação foi divulgada no blog do jornalista Valdo Cruz.
No início deste mês, a defesa da lobista Roberta Luchsinger também apresentou pedido de abertura de um inquérito sobre outro vazamento envolvendo conversas mantidas entre ela e Lulinha.
Na ocasião, o pedido foi encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR) e à PF, e abrangia todos os agentes da PF com acesso à investigação, incluindo delegados cedidos ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na época, a base da requisição foi uma reportagem do jornal O Globo, segundo a qual a campanha de Flávio Bolsonaro teve acesso às conversas, protegidas por sigilo judicial dentro da Operação Sem Desconto, que apura fraudes do INSS.
Em 4 de agosto, quando abriu um terceiro inquérito envolvendo Lulinha, o ministro Flávio Dino, que é relator nessa ação, também instaurou outra investigação para apurar vazamentos relacionados ao caso.
Os três inquéritos envolvendo Lulinha
O STF analisa atualmente três inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Dois deles, sob relatoria de André Mendonça, investigam suspeitas de tráfico de influência em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev.
Um terceiro procedimento, sob relatoria do ministro Flávio Dino, também apura possível atuação para favorecer interesses privados junto a órgãos públicos, mas os detalhes da investigação seguem em sigilo e ainda não foram divulgados.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha
Reprodução / JN
Disputa sobre onde os casos devem tramitar
A PGR defendeu que pelo menos dois desses inquéritos saiam do STF e sejam enviados para a primeira instância da Justiça Federal, argumentando que não há investigados com foro privilegiado.
O ministro André Mendonça avalia manter ao menos um dos casos no Supremo porque mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger mencionariam autoridades que têm foro privilegiado, o que ainda precisa ser aprofundado pela PF.