Lula diz que vai 'vencer' EUA na narrativa e defende reciprocidade para mostrar que Brasil 'não é pouca coisa'
14/08/2026
(Foto: Reprodução) Lula participa de entrevistas a podcasts nesta sexta-feira (14).
Reprodução/ Youtube
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que vai "vencer os Estados Unidos" por meio da narrativa e que Brasil iniciou o processo para adotar a reciprocidade com o objetivo de mostrar que Brasil "não é pouca coisa".
"O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse, com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras", afirmou.
"Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos (...). Ontem [quinta], entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa", emendou.
Ao defender a adoção de medidas de reciprocidade pelo governo brasileiro, Lula afirmou que a iniciativa teve como objetivo demonstrar que o Brasil exige tratamento equivalente nas relações diplomáticas.
Nesta quinta (13), o governo brasileiro informou ter iniciado o processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.
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➡️A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela.
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Lula atribuiu parte da tensão atual a integrantes do governo americano que, segundo ele, mantêm posições hostis em relação ao Brasil e à América Latina.
Apesar disso, afirmou que não deseja uma escalada do conflito. "Não quero guerra, eu quero discutir com seriedade", declarou
Segundo Lula, o Brasil não dispõe do mesmo poderio militar dos EUA, mas tem argumentos para contestar as acusações feitas contra o país.
O presidente disse acreditar que conseguirá rebater as acusações por meio da defesa da posição brasileira.
Na sequência, Lula criticou as justificativas apresentadas pelos americanos para adotar restrições contra o Brasil.
Segundo o presidente, há alegações infundadas sobre o país comprar produtos provenientes de trabalho escravo e não combater o desmatamento.
As declarações foram feitas durante entrevista aos podcasts "Não Inviabilize" e "As Cunhãs", em encontro realizado no Palácio da Alvorada.
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Relação com Trump
Lula também afirmou que busca manter uma relação cordial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que tenta conversar diretamente com o americano.
O petista detalhou que quer uma conversa "tête-à-tête" com Trump, por telefone.
Segundo o presidente, os dois se tratam "de forma muito respeitosa" e devem preservar uma relação institucional entre as duas maiores democracias do continente.
Lula afirmou que pretende pedir a Trump que não interfira em assuntos internos brasileiros, especialmente no processo eleitoral.
"Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição", declarou. "Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?", questionou.
Segundo o presidente, "quem vier dar palpite na eleição aqui vai perder" e o país não abrirá mão de sua soberania.
Corrida eleitoral
A entrevista ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026. Candidato à reeleição, Lula tem ampliado a presença em podcasts e canais digitais nas últimas semanas, estratégia que busca alcançar públicos mais jovens e ampliar o alcance da campanha nas redes sociais.
Recentemente, o presidente participou do podcast "Inteligência Ltda.", uma das maiores plataformas do gênero no país.
Na ocasião, falou sobre a campanha eleitoral, economia, programas do governo e temas da conjuntura política.
A presença em podcasts ganhou espaço na agenda do presidente num momento em que ele tem reduzido a participação em entrevistas e sabatinas promovidas por veículos tradicionais de imprensa.
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A campanha petista avalia que os programas digitais permitem conversas mais longas e um contato mais direto com diferentes públicos.
A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa oficialmente em 28 de agosto. Nesta quinta, Lula começou a gravar os primeiros vídeos para a campanha eleitoral.
As gravações marcam o início da produção de conteúdo que será usado na estratégia de comunicação do presidente, de candidatos do PT e de aliados durante a disputa.