Flávio critica STF e ataca governo Lula durante audiência sobre tarifas de Trump nos EUA
07/07/2026
(Foto: Reprodução) Flávio Bolsonaro chega a audiência nos EUA sobre tarifaço
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dedicou parte do discurso que fez nesta terça-feira (7), na audiência nos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, a fazer críticas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e ataques a governos do presidente Lula e do PT.
Durante pronunciamento feito em inglês, Flávio repetiu argumentos que apresentou em uma manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na semana passada.
Nesta terça, o pré-candidato do PL voltou a pedir que o tarifaço não seja aplicado e disse que a medida, se imposta pela gestão Trump, pode beneficiar Lula em um ano eleitoral.
Em relação a medidas de autoridades brasileiras que tiveram plataformas digitais como alvos, Flávio Bolsonaro afirmou que essas ações não tiveram origem no Legislativo, poder que integra enquanto senador.
"A primeira [questão] é a censura. As ordens sigilosas dirigidas às plataformas digitais americanas não tiveram origem no Congresso. Foram emitidas por ministros do Supremo Tribunal Federal e pela administração Lula. As medidas decorrem de decretos do Poder Executivo e de decisões judiciais, e não de leis aprovadas pelo parlamento", afirmou Flávio.
Sobre a questão da corrupção no Brasil citada em investigação do USTR que propõe a aplicação de tarifas contra o Brasil, Flávio disse que esse tema é um dos maiores "desafios enfrentados pelo povo brasileiro".
Na sequência, o pré-candidato do PL disse que os casos de corrupção apurados no Brasil tem "responsáveis identificáveis". E citou os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Banco Master, como exemplos.
Flávio Bolsonaro disse que esses casos ocorreram em governos liderados pelo PT. O senador não mencionou, contudo, o suposto envolvimento de políticos do PL, partido ao qual é filiado, no Mensalão e na Lava Jato.
Também não disse que o esquema de fraudes no INSS teria começado, segundo as investigações da Polícia Federal, em 2019 – na gestão Jair Bolsonaro e continuado na atual gestão de Lula.
Flávio também não citou, no pronunciamento feito na audiência nos EUA, as mensagens e reuniões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, em que tratou do financiamento milionário do filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Ainda em relação a essa temática, Flávio Bolsonaro disse que o Brasil viveu quatro anos (2019-2022) sob a presidência de seu pai "sem um único grande escândalo de corrupção".
"A corrupção tornou-se uma característica marcante da esquerda política brasileira. O povo brasileiro não deve ser punido por isso", afirmou Flávio.
Na gestão Bolsonaro, a Polícia Federal investigou, por exemplo, um suposto esquema de desvio de verbas da educação, em uma operação na qual um ex-ministro da Educação chegou a ser preso.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid investigou também o possível pagamento de propina a agentes públicos na negociação da compra de vacinas contra a doença causada pelo coronavírus.
Eleições
Pedido de Flávio por ajuda americana ‘não tem precedentes’
No discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que este é o "pior momento" para a imposição de tarifas contra o Brasil pela gestão Donald Trump.
🔎Em 15 de julho termina o prazo para os EUA decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
"O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Daqui a apenas 90 dias, o cenário político do país será completamente diferente", introduziu Flávio.
"Impor uma tarifa agora, que seria difícil de reverter, acabaria recompensando os responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que sofreram suas consequências. Este seria o pior momento possível para agir", completou o pré-candidato do PL.
PIX
Também na audiência, Flávio saiu em defesa do PIX – ferramenta de pagamentos instantâneos desenvolvida pelo Banco Central implementada na gestão Jair Bolsonaro.
Flávio disse que o sistema não "é o problema", mas, sim, uma "solução", por ter ampliado a inclusão financeira, integrando milhões de brasileiros pobres à economia formal.
"Além disso, [o PIX] continua beneficiando diretamente empresas americanas, já que o volume de transações realizadas por cartões emitidos por bandeiras dos Estados Unidos segue crescendo junto com a ampla adoção do PIX, porque esses serviços são complementares, e não concorrentes ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos", disse.
O PIX virou um motivo de embate entre as pré-campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. O lado petista tem dito que a ferramenta é do Brasil e não está em negociação. O lado bolsonarista tem frisado a implementação do mecanismo na gestão Jair Bolsonaro.
Posição do governo Lula
Na semana passada, o governo brasileiro apresentou uma resposta formal à conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta do novo tarifaço.
Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA.
O Executivo também afirmou que críticas americanas ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não são questões comerciais, mas divergências sobre políticas internas brasileiras.
Segundo o Itamaraty, usar esses temas para justificar sanções comerciais ampliaria excessivamente o alcance da legislação americana usada na investigação.
Esta terça-feira é o segundo dia de audiências promovidas pelo USTR. A participação de interessados no debate depende de inscrição. Flávio Bolsonaro se inscreveu e teve cerca de cinco minutos para fazer suas considerações.
O governo federal não mandou representantes para falar pelo Executivo, mas enviou observadores. Representantes de áreas técnicas e do setor produtivo apresentaram seus argumentos no primeiro dia.
O colunista do g1 Valdo Cruz apurou que, apesar das colocações técnicas feitas por representantes do setor produtivo brasileiro, a decisão do USTR deve ser política.
A investigação do USTR foi aberta com base na "Seção 301" da Lei de Comércio de 1974. Apura supostos atos e práticas do Brasil relacionados a comércio digital (PIX), tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
🔎Essa legislação permite a adoção de medidas comerciais quando um país considera que práticas de outro governo são injustas e prejudicam empresas americanas.
Com base nessa investigação, o USTR propôs novas tarifas contra produtos brasileiros.
Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas
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