Caiado diz que vai acabar com ‘aprovação automática’ no ensino e chama cobrança por câmeras em policiais de ‘hipocrisia’
26/08/2026
(Foto: Reprodução) Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, em sabatina no O Globo, Valor e CBN
Reprodução
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, disse nesta quarta-feira (26) que, se eleito, vai acabar com a aprovação automática no sistema de ensino. Em sabatina da CBN, Valor Econômico e O Globo, o candidato afirmou que a progressão dos estudantes deve ocorrer com base em “proficiência, resultado e nota”.
Ao falar sobre sua gestão em Goiás, Caiado afirmou que não permite que estudantes avancem de ano apenas por critérios de idade.
➡️Hoje, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional permite o modelo, que na verdade é chamado de "progressão automática" - mas a decisão de aplicá-la é de cada estado. Nesse sistema, que Goiás não adota, o aluno não fica reprovado de ano em ano, mas sim, ao final de ciclos, caso não tenha conseguido rendimento suficiente.
“Esse critério não pode prevalecer. Pode prevalecer por proficiência, por resultado e por nota. Se não, nós estamos nesse falso positivo na educação brasileira”, afirmou.
Caiado chama cobrança por câmeras corporais de 'hipocrisia'
O candidato foi questionado sobre dados de mortes decorrentes de intervenção policial em Goiás e sobre sua resistência ao uso de câmeras corporais. O governador classificou a análise como “tendenciosa” e defendeu a atuação das forças de segurança do estado.
Ao ser questionado sobre as câmeras, Caiado comparou operações policiais em áreas dominadas pelo crime à atuação em uma guerra: “Tudo bem, vai lá na Ucrânia, bota, bota, bota a câmera nele”.
Em seguida, argumentou que é diferente analisar posteriormente as imagens e estar na posição do policial que entra em uma favela sob risco de ser atingido por criminosos armados. “Isso é a hipocrisia. [...] Hipocrisia plena", afirmou.
“Eu vou, primeiro lugar, declará-los [os criminosos] terroristas. Eu vou ter poder de ação sobre todas as forças que o presidente tem, Exército e Aeronáutica, Marinha, né? Eu vou buscar o máximo de tecnologia no mundo. [...] Vou identificar todos eles. Vou construir 40 presídios de segurança máxima”, disse o candidato.
Candidato diz que não detalha cortes porque ainda 'não examinou o paciente'
Na área econômica, Caiado voltou a defender um ajuste nas contas públicas e foi questionado sobre quais despesas pretende cortar para cumprir a promessa de estabilizar a relação entre dívida e PIB já no primeiro ano de governo. O candidato citou como possibilidades a revisão de incentivos fiscais, cortes na estrutura da máquina pública, fechamento de estatais e mudanças na destinação de emendas impositivas.
Ao ser questionado a apontar quais incentivos fiscais seriam cortados, porém, Caiado evitou mais uma vez detalhar setores.
“Sem examinar o paciente, eu não posso dizer”. Segundo ele, antecipar quais benefícios seriam eliminados seria “irresponsável”.
O candidato também disse que pretende estabelecer um limite para o crescimento das despesas. Segundo Caiado, a proposta é corrigir os gastos pela inflação e acrescentar apenas 50% do crescimento do PIB do ano anterior. A partir desse limite, afirmou, o governo teria que decidir “como você vai acomodar” o orçamento e o que seria necessário “priorizar ou cortar”.
Caiado afirmou ainda que não pretende fazer uma nova reforma da Previdência no início de um eventual governo e rejeitou a possibilidade de atingir direitos já adquiridos. “O que que a aposentadoria, você mexer no regime hoje altera no equilíbrio fiscal? Nada, Lauro. Direito adquirido. Você não toca nele”, declarou. Mais adiante, acrescentou: “A reforma da Previdência, ela será tratada no momento em que nós primeiro limparmos a casa”.