Relatório da Polícia Civil de SP vê 'consistentes suspeitas' de desvio de recursos de contrato de wi-fi para 'Dark Horse'
13/09/2026
(Foto: Reprodução) Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou "consistentes suspeitas" de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP", contratado por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme "Dark Horse" — sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento se tornou público neste domingo (13) depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.
"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo", diz o relatório.
A produtora Karina Ferreira da Gama, que participou da produção do filme, é apontada pelos investigadores como a principal figura por trás das entidades e empresas que aparecem na apuração.
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Karina preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, a relação entre o ICB, a Go Up e outras entidades ligadas a Karina está no centro das suspeitas de confusão patrimonial e desvio de recursos públicos.
A Polícia Civil paulista também aponta, no relatório, que o Tribunal de Contas de São Paulo teria apontado ao menos vinte irregularidades graves no edital público que resultou na contratação para fornecimento de wi-fi.
"Dentre as principais vedações ignoradas pela pasta municipal, destaca-se que o edital utilizou critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações", acrescentou.
A Polícia Civil de SP aponta também vício, ou seja, uma falha de origem no processo de seleção e disparidade de custos.
Informa que, enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do próprio município o custo de R$ 230,00 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306,00 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil — ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800,00 por ponto.
"Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal", diz relatório da Polícia Civil.
"Verificou-se, ainda, no conteúdo das informações, a notícia de que durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi consideravelmente antecipada por interferência política direta, alcançando 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. No entanto, após o encerramento do certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente, atingindo apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados", completou o documento.
Com base em balanço, a Polícia informou que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelos meses em que houve o fornecimento efetivo de internet aos pontos ativos.
Entretanto, observou que foram transferidos R$ 69 milhões, resultando em uma "diferença flagrante" de R$ 26 milhões pagos por serviços não prestados.
Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Reprodução/Redes Sociais