Dino vê indícios de relação de Vorcaro com nova concessionária de cemitérios e pede apuração da PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flavio Dino determinou nesta quinta-feira (17) o envio para apuração da Polícia Federal (PF) de indícios de crimes na relação do Banco Master com concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo.
O caso tramita dentro de uma ação relatada por Dino no STF. O ministro mandou o caso para o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para ajudar nos esclarecimentos.
Segundo ele, há um "adensamento de indícios de crimes nas operações do Banco Master com as empresas concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo". No entanto, ele afirmou que a investigação não deve alcançar o ministro André Mendonça, também do STF.
➡️Na decisão, Dino cita um encontro entre Daniel Vorcaro e André Mendonça, em março do ano passado, dias antes de uma decisão do ministro que afetou a concessão de cemitérios no estado.
No dia seguinte ao encontro, Mendonça pediu vista do processo — ou seja, pediu mais tempo para analisar o caso antes de votar. Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, ele votou contra a manutenção de uma decisão individual de Dino que estabelecia restrições às concessionárias de cemitérios privados.
Dino também chamou atenção para o fato de que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, trabalha na SP Regula, agência responsável pela regulação dos serviços públicos de São Paulo. Ele atua justamente na área funerária e cemiterial.
A determinação, porém, não inclui investigação sobre André Mendonça: "Desde logo, esclareço ser vedado qualquer ato investigativo, que possa atingir o Exmo. Ministro André Mendonça, pois este encaminhamento compete exclusivamente ao Presidente do STF junto ao Colegiado", disse.
Assim, a PF deverá investigar apenas as operações entre o Banco Master e as empresas de cemitérios.
Agora no g1
Relação com nova concessionária
Segundo Dino, documentos indicam que o Banco Master concedeu R$ 78 milhões em financiamentos a empresas que eram donas da Cemitérios e Crematórios SP, concessionária ligada ao Grupo Maya.
Como garantia dos empréstimos, as empresas deram ao Master todas as ações da concessionária. Isso significa que, até que as dívidas fossem pagas, o banco tinha direitos sobre essas ações e poderia interferir em determinadas decisões da empresa.
Segundo a decisão, os contratos davam ao credor o poder de orientar como as acionistas deveriam votar em determinadas situações. As empresas também precisavam de autorização para aprovar algumas operações envolvendo seus ativos.
Os créditos passaram ainda por empresas ligadas ao conglomerado de Vorcaro e chegaram à Master Holding, nas Ilhas Cayman.
Para Dino, essas informações reforçam os indícios de que o grupo econômico ligado ao Banco Master tinha interesses em empresas que seriam afetadas pelo julgamento no STF.
A decisão também menciona a Cortel, outra concessionária de cemitérios de São Paulo. Nesse caso, Dino lembra que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, exerceu função de conselheiro da empresa.
Dino cita problemas no Grupo Maya
A decisão também reúne denúncias de problemas na prestação dos serviços pelo Grupo Maya.
Entre as suspeitas estão a cobrança de valores acima da tabela prevista e a venda de serviços e produtos funerários sem previsão no contrato de concessão.
Dino cita, como exemplo, uma cobrança de R$ 12 mil pelo sepultamento de um recém-nascido no Cemitério da Saudade. A decisão também menciona a suposta falta de divulgação da tabela oficial de preços aos usuários.
Diante dessas informações, Dino determinou que o Grupo Maya seja incluído na análise e fiscalização prioritárias já determinadas no processo.
O ministro também mandou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) levantar informações sobre a concessionária, empresas relacionadas, fundos de investimento e outras empresas privadas que administram cemitérios em São Paulo. O prazo é de 15 dias.FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/17/dino-ve-indicios-de-relacao-de-vorcaro-com-nova-concessionaria-de-cemiterios-e-pede-apuracao-da-pf.ghtml