Agência Nacional de Proteção de Dados suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil

  • 12/08/2026
(Foto: Reprodução)
Agência Nacional de Proteção de Dados determina que Discord suspenda transmissão de 'lives' no Brasil A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro ➡️Isso não significa que o Discord está suspenso no país. A determinação atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. A decisão foi tomada por meio de uma medida preventiva e estabelece prazo de três dias úteis para que a plataforma cumpra a determinação. 🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem como missão zelar pela proteção de dados pessoais de brasileiros. Segundo a ANPD, a suspensão valerá até que o Discord comprove que adotou medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso da plataforma. 💻O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Em nota, o Discord afirmou que recebeu a determinação e está "cuidadosamente analisando seu conteúdo". "A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação", diz o texto (veja na íntegra mais abaixo). LEIA TAMBÉM: Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD 'Graves violações de direitos de crianças': por que o Discord teve lives suspensas no Brasil 'Panelas' no Discord escondem 'as mais perversas formas de crime' contra crianças, diz policial infiltrada Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, "imediatamente", a plataforma Discord. Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma. Integrantes da ANDP afirmam que a plataforma vinha sendo monitorada desde o ano passado, antes mesmo da declaração da primeira-dama, e que a suspensão das lives foi decidida com base em uma análise técnica das diversas irregularidades identificadas. Discord - representação Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Reprodução internet A ação faz parte do processo de fiscalização instaurado pela agência na última sexta-feira (7), para apurar falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A determinação ocorre após a ANPD receber informações da empresa na segunda (10) e se reunir com representantes legais do Discord nessa terça (11) (leia mais abaixo). Em nota, a ANPD afirma que a medida cautelar de suspensão das transmissões ao vivo levou em conta a existência de "evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço". Principalmente, em casos de "indução, incitação, instigação ou auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio, conforme o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente". O presidente da agência explicou que isso não representa um bloqueio do Discord no país. “O Discord não está sendo bloqueado. O que a medida preventiva suspende é a funcionalidade ‘Go Live’, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. O nosso objetivo é reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes”, explica o superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Lopes. Discord apresentou relatório à Justiça A decisão ocorre um dia depois de a Advocacia-Geral da União (AGU) informar que recebeu do Discord uma proposta com medidas para reforçar a proteção dos usuários, especialmente de crianças e adolescentes. O documento foi entregue na segunda-feira (10), após uma série de reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da AGU e da ANPD. Segundo a AGU, as negociações começaram depois que um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça apontou falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção de crianças e adolescentes adotados pela plataforma. O governo cobrou da empresa medidas para cumprir a legislação brasileira, incluindo mecanismos de verificação etária, prevenção de riscos e proteção de usuários menores de idade. A ANPD explica que, por conta da técnica adotada para a prestação de serviço, o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas ocorrem, o que inviabiliza a utilização, no âmbito do servidor, de mecanismos de análise do conteúdo audiovisual e detecção em tempo real de eventuais crimes. Por isso, a plataforma depende de sistemas automatizados falhos e de denúncias dos próprios participantes. De acordo com dados da ONG SaferNet Brasil, divulgados pela ANPD, o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54% na comparação dos sete primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado. Em 2026 foram 405 denúncias, em comparação com as 264 do mesmo período em 2025. O que diz o Discord Veja o posicionamento na íntegra: “Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação. Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma. Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.”

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/12/agencia-de-protecao-de-dados-suspende-lives-do-discord-no-brasil.ghtml


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